FAQ (Frequently Asked Questions/Perguntas Mais Freqüentes)
1. Características de construção do instrumento
1.1. Por que a D'Alegria utiliza braços aparafusados em seus modelos? É verdade que os instrumentos inteiriços possuem mais sustain do que os aparafusados?
1.2. É verdade que o peso do instrumento influencia no som?
1.3. É possível fazermos baixos ainda mais leves que os D'Alegria sem prejudicar o som?
1.4. O que é o "neck dive"?
1.5. É verdade que em instrumentos elétricos é apenas o captador que define o som do instrumento?
1.6. As madeiras escolhidas alteram o som de um instrumento elétrico?
1.7. Por que a D'Alegria utiliza madeiras como Ipê, Roxinho, Cumaru, Freijó, Marupá e outras, ao invés das mais tradicionalmente empregadas (Maple, Mogno, Jacarandá)?
2.1. Por que o braço dos modelos Dart é laminado em várias peças?
2.2. Qual é a vantagem da escala colada?
2.3. Por que a D'Alegria coloca reforços internos extras ao tensor nos braços de seus baixos (série Dart)?
2.4. Por que a D'Alegria utiliza a mão colada nos braços dos modelos Dart?
2.5. Por que existem laminações de madeira nas partes frontal e traseira da mão dos baixos D'Alegria?
2.6. Porque a D'Alegria utiliza um tensor de expansão de 2 peças?
2.7. Quais são as diferenças entre as escalas planas e as arqueadas?
2.8. Por que os trastes dos baixos D'Alegria são colados na escala?
3. Parte elétrica e captadores
3.1. Porque a cavidade elétrica de todos os baixos D'Alegria é eletricamente blindada?
3.2. Quais são as vantagens e desvantagens do uso de captadores ativos e passivos, e por que a D'Alegria utiliza um pré em seus baixos ativos?
3.3. Por que a D'Alegria optou por utilizar um pré exclusivo, de fabricação própria?
3.4. Qual é a vantagem dos captadores humbuckers em relação aos captadores single coil?
3.5. A distância da corda para o captador e seu ângulo influenciam no som?
4.1. Qual a diferença entre as cordas "roundwound" e "flatwound"?
4.2. Por que a D'Alegria faz toda a sua produção internamente, sem terceirizar etapa alguma?
1. Características de construção do instrumento
1.1. Por que a D'Alegria utiliza braços aparafusados em seus modelos? É verdade que os instrumentos inteiriços possuem mais sustain do que os aparafusados?
Este é um assunto bastante discutido. Não existe relação direta entre sustain de um instrumento e o fato dele ser inteiriço ou ter braço aparafusado. Em uma análise simplista, podemos assumir que o sustain será tanto maior quanto menos energia de vibração da corda for absorvida pela vibração das partes do instrumento. Isto nos leva à conclusão de que instrumentos mais rígidos devem ter mais sustain do que instrumentos menos rígidos. Para que um instrumento aparafusado seja rígido e tenha bastante sustain, mais cuidados devem ser tomados em seu projeto e construção do que em um instrumento inteiriço, daí a percepção de que instrumentos inteiriços possuem mais sustain. Além disso, é também importante que percebamos que nem sempre conceitos do tipo "quanto mais sustain, melhor" são interessantes. Um sustain excessivo deixaria a corda vibrando indefinidamente, mudando totalmente as características de som do instrumento e tornando o som de um baixo elétrico com decaimento similar ao de um instrumento eletrônico, como um teclado.
De qualquer forma, em situações práticas, um alto sustain é conseguido através da utilização de um braço muito rígido (na D'Alegria utilizamos madeiras muito rígidas, como o Ipê e o Roxinho, e ainda empregamos um tensor somado a um par de reforços internos em aço na série Dart), de uma junção entre corpo e braço bem feita, e usando madeiras específicas para o corpo que sejam ressonantes sem absorver energia de vibração da corda em demasia.
A grande diferença então entre instrumentos aparafusados e inteiriços não está no sustain, mais sim no SOM. Os instrumentos inteiriços caracterizam-se por uma fundamental mais pronunciada, porém com menos harmônicos nas regiões média-grave e aguda, enquanto que os instrumentos aparafusados tendem a ter um som com mais ataque e mais definição na região média-aguda. Em linhas gerais, os instrumentos inteiriços tendem a soar com um grave mais pronunciado e menos definição nos médios, ao passo que instrumentos aparafusados tendem a ter um som mais definido e com maior ataque.
Os instrumentos aparafusados, quando construídos com madeiras e técnicas adequadas, possuem uma excelente definição nos médios-graves, que é o principal requisito para que um baixista seja ouvido quando está tocando simultaneamente a uma banda. É exatamente a clareza nessas frequências que permite ao baixista "cortar" e ser percebido na mixagem, e é portanto uma das características principais que levamos em conta ao projetarmos nossos instrumentos.
1.2. É verdade que o peso do instrumento influencia no som?
Não. Normalmente isso vem associado ao fato de madeiras mais pesadas serem de uma forma geral mais ressonantes e mais rígidas que madeiras mais leves, oferecendo mais sustain e mais som ao instrumento construído com elas. Entretanto, isto não é uma regra. Com o emprego de madeiras e construção adequados, é possível a confecção de instrumentos bastante leves, com muito sustain e com som bastante definido. O objetivo buscado em termos de som e peso deve sempre ser levado em conta no momento do projeto de um instrumento.
1.3. É possível fazermos baixos ainda mais leves que os D'Alegria sem prejudicar o som?
Teoricamente sim. O que aconteceria entretanto é que isso começaria a afetar o equilíbrio mecânico do instrumento, fazendo o mesmo pender para um dos lados (o chamado "neck dive") ou tornando pouco confortável tocar o mesmo estando-se sentado.
1.4. O que é o "neck dive"?
O neck dive ocorre em instrumentos que possuem o braço muito pesado em relação ao corpo, fazendo com que na posição de repouso a mão do baixo penda para o chão. Esta característica ocorre em instrumentos onde o corpo é mais leve do que deveria, e causa bastante desconforto ao músico quando o instrumento é utilizado por longos períodos. Isto obriga o músico a sustentar constantemente o braço do instrumento enquanto toca, além de normalmente sobrecarregar de forma desigual seus ombros. O ombro mais próximo à mão do instrumento fica com a maior parte do peso do instrumento, o que continuadamente pode inclusive ocasionar desvios de coluna.
1.5. É verdade que em instrumentos elétricos é apenas o captador que define o som do instrumento?
Isto não é verdade. É claro que sendo o baixo um instrumento elétrico, o captador certamente possui uma grande parcela de responsabilidade pelo som gerado. No entanto, o captador apenas transformará em som a vibração da corda, e esta será diferente em função do conjunto de madeiras e construção empregados. Não resta dúvida de que o que deve ser analisado é a combinação de determinado captador com determinadas madeiras, para que seja alcançado o som desejado.
1.6. As madeiras escolhidas alteram o som de um instrumento elétrico?
Totalmente! O captador apenas transforma em impulsos elétricos a vibração das cordas. No entanto, quem definirá como as cordas vibram serão as madeiras empregadas. Sua escolha é fundamental para que o som buscado seja alcançado.
1.7. Por que a D'Alegria utiliza madeiras como Ipê, Roxinho, Cumaru, Freijó, Marupá e outras, ao invés das mais tradicionalmente empregadas (Maple, Mogno, Jacarandá)?
Madeiras como Maple, Mogno ou Jacarandá têm sido usadas através dos anos pelos mais variados construtores de instrumentos. Apesar das excelentes características delas, nosso país possui um excepcional leque de opções quando o assunto é madeira. O uso de novas madeiras propicia novas conquistas em termos de som, estabilidade e visual dos instrumentos musicais, além de diminuir a pressão sobre espécies ameaçadas de extinção, como é o caso do Mogno e do Jacarandá. Nós acreditamos que a escolha científica de novas espécies é um caminho para a evolução na construção de instrumentos. A D'Alegria emprega apenas madeiras que atendam requisitos específicos de estabilidade, estética, durabilidade e qualidade sonora, e utiliza de forma consciente combinações que proporcionem o máximo em sonoridade. O Ipê, por exemplo, é considerado um possível substituto para o Ébano pelo Instituto Soundwood (www.soundwood.org) e o Roxinho ("Purpleheart", como é conhecido lá fora) é empregado internacionalmente em larga escala na construção de braços quando o objetivo é resistência e estabilidade a toda prova.
Isso faz com que os baixos D'Alegria possuam características únicas em termos de durabilidade, visual e som, fazendo dos mesmos instrumentos exclusivos.
2. Construção do braço
2.1. Por que o braço dos modelos Dart é laminado em várias peças?
Com a laminação em várias peças é possível combinar o grão da madeira das diversas laminações de forma a alcançar o máximo em estabilidade e rigidez. Além disso, o uso de várias peças permite diminuir o pico de ressonância do braço, fazendo o sustain e o volume das notas ser mais uniforme ao longo de toda a escala do instrumento.
2.2. Qual é a vantagem da escala colada?
A escala colada, mesmo que feita da mesma madeira do braço, torna o braço mais rígido, o que contribui para um maior sustain e definição do som. Outra vantagem da escala colada é possibilitar a instalação de um tensor de 2 peças por baixo da mesma, distribuindo melhor a tensão aplicada pelo mesmo no braço.
2.3. Por que a D'Alegria coloca reforços internos extras ao tensor nos braços de seus baixos (série Dart)?
Os reforços internos em aço presentes nos braços D'Alegria atendem a 2 funções. A primeira é tornar o baixo mais resistente à tensão das cordas, o que garante menor possibilidade de empenamento. A segunda função é tornar o braço mais rígido, com conseqüente elevação das freqüências de ressonância do braço, reduzindo assim a incidência de "notas mortas".
2.4. Por que a D'Alegria utiliza a mão colada nos braços dos modelos Dart?
A mão colada permite que o veio da madeira no ponto de junção da mão esteja perpendicular à força exercida pelas cordas, maximizando a resistência e a durabilidade do braço. Este tipo de arranjo oferece o máximo em resistência neste ponto crítico do braço, minimizando quebras e rachaduras.
2.5. Por que existem laminações de madeira nas partes frontal e traseira da mão dos baixos D'Alegria?
As laminações presentes nas partes frontal e traseira da mão contribuem para a estética do instrumento e também ajudam a reforçar a estrutura da mão, proporcionando um conjunto mais resistente.
2.6. Porque a D'Alegria utiliza um tensor de expansão de 2 peças?
O tensor de expansão é formado de 2 peças, de tal forma que quando a porca de ajuste é apertada, uma das peças comprime a outra, fazendo a mesma expandir-se, formando um arco que empurra o braço para trás.
Neste arranjo, a força exercida no braço depende exclusivamente da tensão aplicada na porca de ajuste, o que torna o braço menos susceptível à variações climáticas, necessitando menos de ajustes freqüentes. É um tensor mais caro e complicado para instalar e produzir, porém vale pela diferença em estabilidade conferida ao braço do instrumento. Isto também minimiza a chance de que ocorram torções e empenamentos em "S" no braço, uma vez que a tensão do tensor apenas age no sentido de compensar a tração das cordas, sem comprimir a madeira.
2.7. Quais são as diferenças entre as escalas planas e as arqueadas?
As escalas planas normalmente são apreciadas por músicos que usam uma digitação mais rápida, por facilitar a transição entre as cordas. As escalas arqueadas são normalmente preferidas por músicos acostumados a instrumentos mais "vintage". Isso não é, no entanto, uma regra, mas sim uma questão de preferência, que varia de músico para músico.
2.8. Por que os trastes dos baixos D'Alegria são colados na escala?
O objetivo da colagem dos trastes é garantir que os mesmos não se movimentem ao longo da vida do instrumento. A escala do instrumento trabalha constantemente, contraindo-se e expandindo-se de acordo com as variações de temperatura e umidade. Ao longo de anos de uso, isso tende por afrouxar a fixação dos trastes, mesmo que apenas milimetricamente, fazendo com que a ação e a tocabilidade do instrumento fiquem prejudicadas.
3. Parte elétrica e captadores
3.1. Porque a cavidade elétrica de todos os baixos D'Alegria é eletricamente blindada?
O objetivo de blindar a cavidade elétrica, revestindo-a com cobre, é formar uma "gaiola de Faraday", onde o campo magnético internamente é nulo. Isto significa que é com este arranjo que torna-se possível fazer com que os circuitos do baixo não venham a captar campos magnéticos externos, que manifestariam-se como ruídos, interferindo no som do instrumento. O uso de cobre, por sua alta condutividade, permite que seja obtido um alto nível de blindagem.
3.2. Quais são as vantagens e desvantagens do uso de captadores ativos e passivos, e por que a D'Alegria utiliza um pré em seus baixos ativos?
O objetivo principal de usar-se um captador ativo ou um captador passivo com pré-amplificador é o mesmo. A idéia é proporcionar na saída do baixo um nível alto e em baixa impedância, com 3 objetivos básicos:
- Fazer com que a impedância de entrada
do amplificador tenha menos efeito no resultado sonoro final;
- Diminuir o efeito da capacitância dos cabos, que ocasiona um corte de
agudos no caso dos baixos passivos;
- Diminuir a captação de ruídos através do cabo que liga o baixo ao
amplificador, já que o sinal em baixa impedância torna-se menos
susceptível a isso.
Isso é alcançado portanto através de um pré-amplificador, que possui uma entrada de alta impedância onde o captador é conectado e uma saída em baixa impedância, que é conectada ao amplificador. Nos 2 casos (captador ativo e captador passivo + pré) o arranjo é o mesmo. A diferença fica única e exclusivamente na localização do pré: no caso do captador ativo este pré é acondicionado dentro do próprio captador, e no caso do captador passivo + pré o mesmo é acondicionado na cavidade elétrica do instrumento. Cada arranjo possui, como seria de se esperar, vantagens e desvantagens, que dependendo do cuidado no projeto e na construção podem trazer bons e maus resultados, em ambos os casos. Essas vantagens e desvantagens são listadas a seguir:
3.2.1. Captador ativo
Vantagem
- Uma vez que o pré fica dentro do captador, é mais fácil controlar a captação de ruídos, sendo mais fácil obter-se desta forma um captador bastante silenciosoDesvantagens
- Necessita obrigatoriamente da existência de baterias para funcionar, ou seja, se as baterias falham, o captador pára de funcionar
- Não permite que seja projetado um pré com características especiais de som para o captador, pois a única maneira de alterar o som é através de controles de tom
- Não permite que sejam alterados os arranjos de conexão das bobinas do captador (série/paralelo, single coil, defasadores, etc.), comuns em diversos instrumentos.3.2.2. Captador passivo + pré-amplificador
Desvantagem
- É mais propenso à captação de ruídos do que o captador ativo, necessitando desta forma de cuidado extra para garantir uma operação silenciosaVantagens
- Pode funcionar sem baterias
- Permite várias formas de conexão das bobinas (humbucking, single coil, série/paralelo, defasadas, etc.)
- Permite que a resposta do captador seja alterada através das características do pré utilizadoNós da D'Alegria acreditamos que o sistema de captador passivo com pré oferece mais flexibilidade, pois pudemos investir nossos esforços no projeto e na construção de um pré exclusivo de alta qualidade. Acreditamos que este tipo de arranjo garante mais flexibilidade ao instrumento e mais "naturalidade" ao som.
3.3. Por que a D'Alegria optou por utilizar um pré exclusivo, de fabricação própria?
A fabricação total de um pré exclusivo nos permitiu projetar um circuito com o objetivo de extrair o máximo de som e performance do conjunto de materiais (captadores e combinação de madeiras) empregados nos nossos baixos. As freqüências e atuações dos filtros empregados foram definidas de acordo com o projeto do baixo, o que permitiu um resultado final bastante otimizado.
3.4. Qual é a vantagem dos captadores humbuckers em relação aos captadores single coil?
Captadores humbuckers oferecem uma operação silenciosa, já que a captação de ruídos externos (principalmente "hum") é anulada pelas suas características de construção. No que diz respeito a som, captadores single coil e humbuckers tendem a soar de forma diferente, mas isto depende de inúmeros outros fatores, como indutância e formato da bobina, material empregado no entreferro, material, formato e localização dos imãs, etc.
3.5. A distância da corda para o captador e seu ângulo influenciam no som?
Sim. O sinal elétrico do captador é gerado a partir da alteração do campo magnético do captador pela corda em vibração. Este campo é mais forte perto do captador, o que faz com que a distância da corda ao mesmo influencie na saída obtida. O ângulo que a corda faz com a superfície do captador também é relevante, devendo a corda estar o mais paralela possível à superfície frontal do captador.
4. Geral
4.1. Qual a diferença entre as cordas "roundwound" e "flatwound"?
As cordas roundwound são compostas de uma alma enrolada com um fio de seção redonda, enquanto que nas cordas flatwound o fio que envolve a alma é de seção retangular. A diferença entre os dois tipos é mais perceptível no som, tendo a corda roundwound um som mais brilhante e com maior sustain, e sendo o da flatwound mais abafado, aproximando mais o som do instrumento ao de um baixo acústico.
4.2. Por que a D'Alegria faz toda a sua produção internamente, sem terceirizar etapa alguma?
Acreditamos que apenas dessa forma é possível garantir a qualidade total em todas as etapas do processo, possibilitando construirmos instrumentos exclusivos e com alta qualidade.
